Planos de contingência aplicados a doenças infecciosas - Análise de estratégias de prevenção para a disseminação do vírus da varíola

Relatório de investigação para obtenção do grau de mestre em Saúde Pública pela ENSP.
No seguimento de algumas ameaças de bioterrorismo ocorridas em 2001 com esporos de Bacillus anthracis, diversos países decidiram iniciar uma avaliação, tão exaustiva quanto possível, sobre o seu grau de preparação e resposta para este tipo de eventos. Nesta estratégia global, também em Portugal se desenvolveram diversas esforços para avaliação das capacidades instaladas e identificação das áreas a desenvolver no sentido de minimizar os efeitos adversos de um ataque bioterrorista nacional, de que este relatório é um exemplo.

O vírus da varíola, por diversas razões aqui apresentadas, era, à data de realização deste trabalho de investigação, um dos melhores candidatos à utilização em acções de bioterrorismo.

Actualmente, e apesar de muitas dessas características ainda se manterem, a estratégia de vacinação iniciada nos E.U.A. em 2002/2003 aumentou a imunidade de grupo contra a infecção variólica no país que se pensa ser o alvo preferencial para este tipo de acções.


Consequentemente, este facto terá, certamente, diminuido, a nível global (até porque outros países também efectuaram campanhas de vacinação anti-variólica), a probabilidade de utilização de este agente com finalidades bélicas ou bioterroristas.

Após os eventos de Outubro de 2001, quando foram enviados por correio esporos de Bacillus anthracis a vários cidadãos americanos, os restantes países aumentaram os seus procedimentos de segurança e iniciaram (ou continuaram) os seus planos contra acções terroristas em que sejam utilizados agentes biológicos (Bioterrorismo).

Um dos mais temidos destes agentes (quer pelos peritos quer pela generalidade da população) é o vírus da varíola, devido às elevadas taxas de mortalidade e morbilidade que estão associadas à infecção, bem como à inexistência de um tratamento eficaz. O planeamento cuidadosos e eficaz parece ser a única forma de minimizar os prejuízos de tal utilização.


Este trabalho centrou-se na análise de diferentes cenários que poderiam ser usados para aumentar a preparação portuguesa para conter uma libertação malévola deste vírus numa população actualmente susceptível à infecção.

Foi coligida e analisada muita da documentação não-confidencial existente sobre o planeamento para a guerra ou terrorismo biológicos em Portugal e no estrangeiro e foram entrevistados diversos peritos portugueses sobre o assunto.

Foram estudadas as tendências da vacinação antivariólica na década de 70 (de forma a poder estimar a actual imunidade de grupo para o vírus) e foram analisadas as consequências epidemiológicas de duas estratégias de vacinação diferentes: vacinar a totalidade da população ou vacinar a subpopulação dos profissionais de saúde. A investigação foi concluída com a estimativa grosseira dos custos da resposta portuguesa às ameaças de carbúnculo e das estratégias de vacinação previamente referidas.


Os resultados revelaram que as estratégias de vacinação em estudo acarretariam um elevado número de efeitos adversos graves, além do custo monetário inerente ser elevado.


O baixo grau nacional de imunidade de grupo para o vírus da varíola confere maior urgência à necessidade de desenvolver alguns pontos que não foram cobertos pelo plano existente, como o armazenamento de vacinas e imunoglobulina da vacina (VIG) e a necessidade de melhorar os mecanismos existentes de limitação do acesso a produtos biológicos perigosos.


É necessária investigação adicional para a construção de modelos que permitam simular a disseminação deste (e outros) agente biológico em Portugal.

Pré-visualizaçãoAnexoTamanho
Planos de contingência aplicados a doenças infecciosas...59.61 KB