Cuidados de saúde primários 2000 - Diabetes em cuidados primários

A diabetes mellitus é um grave e crescente problema de saúde pública, com onerosas complicações, quer individuais, quer comunitárias. Portugal tem um programa de saúde para este problema desde 1992, baseado na Declaração de St. Vincent. Num primeiro tempo as estratégias de intervenção, iniciadas nos cuidados primários de saúde, basearam-se na avaliação contínua da qualidade dos cuidados prestados (DiabCare). Mais tarde, no âmbito da «Estratégia de saúde (1998-2002)», o enfoque foi posto na promoção do papel activo do cidadão com diabetes (Guia do Diabético). O seu impacto, quer na organização dos cuidados, quer nos serviços de saúde, quer na comunidade, está dependente da adequada implementação e utilização pelos diabéticos, profissionais e responsáveis de saúde dos instrumentos agora postos à sua disposição.

O sistema de saúde português, após décadas de organização assente nos cuidados hospitalares (doenças crónicas), em serviços de saúde providos pelas caixas de previdência das empresas ou associações (doença aguda) ou pelos centros de saúde (cuidados preventivos) no início dos anos 80, passou a basear-se nos cuidados primários, definidos por quatro características coexistentes: primeiro contacto, provisão de cuidados continuados centrados na pessoa, compreensivos e coordenados. O clínico geral seria o responsável pelo paciente, como um todo, funcionando como coordenador dos cuidados, integrando-os e assegurando a sua continuação no tempo, perspectivando o indivíduo no seu meio social e familiar, enquanto os outros especialistas hospitalares seriam responsáveis por uma (ou mais) doença com necessidade de conhecimento mais profundo.

A diabetes é uma síndroma caracterizada por uma deficiente insulino-secreção, relativa ou absoluta, a que podem associar-se graus variáveis de insulinorresistência, resultando numa hiperglicemia crónica, com alterações do metabolismo dos lípidos e proteínas e um conjunto de complicações neurológicas, micro e macrovasculares relacionadas, cuja prevenção passa por um diagnóstico e tratamento precoces.

 A população que sofre deste problema tem vindo a crescer em número, facto que tem sido explicado em parte pelas alterações do estilo e aumento da expectativa de vida. As complicações desta situação são várias, passíveis de serem atrasadas e diminuídas em número.