Análise da resposta social à Gripe Pandémica

Com a finalidade de cumprir os objectivos propostos, no sentido da monitorização, análise e reporte das “respostas sociais” dos portugueses nas várias fases do processo pandémico e ainda do estabelecimento de um ciclo virtuoso de recolha, divulgação e extensão de boas práticas na resposta social, quer nos aspectos que dizem respeito ao alinhamento com as “regras do jogo” de um desafio global, quer com aqueles que respeitam a activação das redes sociais de proximidade, foram realizadas as principais actividades que de seguida se enumeram e se descrevem resumidamente:

Análise da comunicação social

Diariamente foram recolhidas e analisadas noticias sobre o vírus H1N1, quer a nível nacional, quer internacional. A análise baseou-se na ferramenta RSS Feeds e num serviço de clipping, gentilmente cedido pela DGS.

Análise das redes sociais

Os comentários às notícias, blogues, fóruns e twitter foram também analisados de forma a obter directamente do “cidadão” as suas percepções, atitudes e comportamentos face à gripe pandémica.

Newsletters/ pontos de situação

Elaborados com base na análise da comunicação e redes sociais e na informação obtida através da rede dedicada. Enviados periodicamente, com regras de confidencialidade, apenas aos elementos da rede dedicada. Tiveram uma periodicidade semanal no inicio da pandemia.

Com o decorrer da pandemia e dado o volume de trabalho e a ausência de “novidade” susceptível de ser enviada à rede dedicada, o envio das newsletters passou a ter uma periodicidade quinzenal e/ou mensal.

A informação transmitida, englobava:

  • actualização da situação (número de novos casos de gripe A e acumulados e vitimas mortais; evolução a nível nacional e internacional; recomendações das autoridades de saúde nacionais e internacionais; principais destaques no espaço público).
  • Questões emergentes no espaço público (citações de noticias, comentários a noticias ou blogues, que pela sua importância, justificavam e/ou correcções comentários por parte do Centro de Análise).
  • Práticas concretas na resposta social à gripe pandémica (muitas vezes designadas de «boas práticas».
  • Indicação de bibliografia de referência sobre gripe A; apresentações e resultados de estudos realizados pelo Centro de Análise.
  • Outra informação que parecesse relevante fazer chegar à rede dedicada.

Relatórios Públicos

Foram publicados cinco relatórios “públicos”, com o objectivo de fazer chegar ao cidadão (e não apenas à rede dedicada), informação importante sobre a gripe pandémica. Cada relatório agregou os aspectos mais relevantes da análise à resposta social.

Livro: Nós e a Gripe – Informação, conhecimento e bom senso

Publicado como o quarto relatório público, dirigiu-se essencialmente ao cidadão, destinando-se a informar sobre a gripe e a apoiara tomada de decisões para fazer face à pandemia.

Práticas concretas de resposta à gripe

As práticas concretas dizem respeito a exemplos de boas práticas na resposta à gripe. Foram listadas, e divulgadas essencialmente, com base nas notícias analisadas, mas também em informação fornecida por fontes internas (trabalhadores das empresas/instituições e/ou observação dos elementos do Centro de Análise).

Análise de sondagens

À medida que se procedia à análise da imprensa, foram recolhidas sondagens sobre a gripe pandémica, cujos resultados permitem analisar a resposta social dos portugueses e serem comparados com os resultados obtidos pelos questionários aplicados à rede dedicada do Centro de Análise. Foram sobretudo realizadas por meios de comunicação social, via internet.

Análise do número de casos de gripe A e óbitos

O Centro de Análise realizou um acompanhamento do número e características quer do número de casos de infecção pelo vírus H1N1, quer das vítimas mortais pela gripe A. Os dados foram recolhidos através das autoridades de saúde nacionais (Direcção-geral da Saúde e Ministério da Saúde) e dos seus sistemas de informação.

Case studies

Através da rede dedicada, foram obtidos relatos de casos de gripe A, nomeadamente os primeiros casos em determinadas regiões do país. Contribuiram para a compreensão da evolução das reacções, quer dos utentes, quer dos profissionais de saúde e para a análise da resposta social.

Recolha e divulgação de imagens e vídeos

Com base nos meios de comunicação social foram recolhidas e amplamente divulgadas imagens e vídeos que transmitissem a realidade pandémica e a resposta dada pela sociedade.

Transmissão de mensagens chave

O Centro construiu banners com mensagens-chave de acção contra a gripe e de acordo com a fase pandémica em questão. Deste modo os banners foram utilizados em e-mails e nos relatórios/pontos de situação) e amplamente divulgados, com o objectivo de influenciar a resposta social. A Delta Cafés, em colaboração com o Centro de Análise, produziu e lançou um conjunto de pacotes de açúcar com mensagens no sentido de influenciar a resposta social, no que respeita a “acção contra a gripe”.

NOTAS FINAIS

Uma pandemia de gripe é um fenómeno global. Para a sua compreensão é necessário juntar peças de várias origens.

Para a gestão do processo pandémico é necessária uma estrutura formal, que recolha e transmita a informação, que permita produzir e emanar as normas e orientações mais adequadas a seguir pelas sociedades e pelos serviços de saúde, de forma a dar resposta à emergência de saúde pública – abordagem de “comando-e-controlo”.

Por outro lado, é necessário criar e apoiar estruturas que permitam orientar, promover e enquadrar a activação social indispensável para que os indivíduos, as famílias e as empresas se preparem para responder à ameaça da saúde pública - paradigma da governança em saúde.

Numa pandemia de gripe, não se pode esperar que os cidadãos se limitem a aguardar, ouvir e seguir as recomendações das autoridades de saúde. Devem ser considerados como parceiros e promover o seu envolvimento e participação nas actividades contra a pandemia, de forma a consegui obter-se uma resposta social verdadeiramente efectiva na luta contra a gripe.

Um exemplo das consequências de uma abordagem errada numa situação de crise em saúde pública manifestou-se, como se viu atrás, em relação ao que aconteceu com a vacinação pandémica, a nível mundial. Essencialmente, assistiu-se à disponibilização da vacina, à definição dos grupos prioritários e ao apelo à vacinação, sem qualquer activação das redes sociais de proximidade. Resultou, como seria previsível, numa resposta social caracterizada por uma fraca adesão à vacinação, como demonstram os estudos atrás referidos.

Informação detalhada sobre o Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica em: www.noseagripe.net